Publicado em: 14/08/2026

A Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL) propõe a criação de uma política nacional para enfrentar a escassez de profissionais na logística e preparar o setor para o avanço da Inteligência Artificial, automação e robotização. A medida está entre as prioridades apresentadas pela entidade às coordenações das campanhas dos candidatos à Presidência da República para o próximo governo.

Chamada de “Política Nacional para o Futuro do Trabalho na Logística”, a proposta prevê a articulação entre governo, empresas, academia, trabalhadores e instituições de ensino, além de ações de qualificação e requalificação profissional. A ABOL também defende estímulos à adoção de tecnologias como Inteligência Artificial, automação e robotização para complementar ou suprir lacunas de mão de obra.

Segundo a entidade, o setor enfrenta escassez de motoristas, colaboradores de armazéns e profissionais especializados. A discussão sobre mão de obra integra uma carta aberta com quatro propostas consideradas prioritárias pela associação para o avanço da logística brasileira.

Além da formação e atração de profissionais, a agenda contempla a consolidação da intermodalidade e da multimodalidade como política pública permanente; a construção de um ambiente regulatório e tributário mais simples e estratégico; e incentivos à descarbonização, aos combustíveis sustentáveis e à adaptação às mudanças climáticas.

De acordo com a ABOL, a agenda parte do reconhecimento da logística como um dos pilares da economia brasileira. Segundo dados apresentados na carta, os operadores logísticos empregam 2,7 milhões de pessoas, entre postos diretos e indiretos, movimentam mais de R$ 247 bilhões em faturamento anual e respondem por mais de R$ 57 bilhões em arrecadação aos cofres públicos. O segmento também representa mais de 20% dos gastos com transporte e armazenagem no país.


INFRAESTRUTURA, AMBIENTE REGULATÓRIO E AMBIENTAL

Na frente de infraestrutura, a ABOL defendeu que a multimodalidade seja tratada como eixo estruturante para ampliar o desempenho das cadeias de abastecimento. Entre as medidas expostas estão a criação de uma “Governança Nacional da Multimodalidade”, a modernização das conexões entre rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos e a evolução da integração legal e documental. A Associação também chamou atenção para a necessidade de elevar a capacidade de silos e armazenagem, especialmente diante dos sucessivos recordes de produção do agronegócio.

O material apontou ainda um espaço relevante para a melhoria da conexão entre os modais no próprio mercado: atualmente, apenas 31% dos operadores logísticos de fato conseguem oferecer serviços intermodais e multimodais. Para a ABOL, aumentar essa participação depende de investimentos em infraestrutura, mecanismos de financiamento e maior previsibilidade normativa. O documento destacou que o Brasil investe cerca de 0,7% do PIB ao ano na rede de transportes, enquanto estimativas citadas pela Associação indicam a necessidade de aproximadamente 2% para conservar, modernizar e expandir a capacidade.

No ambiente regulatório e tributário, é recomendada a simplificação das obrigações, unir os sistemas dos órgãos públicos e avaliar os impactos das novas regras antes da criação de exigências adicionais. Diante da Reforma Tributária em curso, a ABOL defendeu a preservação do dinamismo dos diferentes modais e de incentivos à automação, à robotização, à inteligência artificial e à digitalização. Entre as sugestões está a criação de mecanismos semelhantes a uma “Lei do Bem para a Logística”.

Na agenda ambiental, é solicitada uma transição energética que considere as diferentes realidades operacionais, geográficas e econômicas das organizações. Entre as ideias estão o estímulo à produção e comercialização de combustíveis, a expansão de corredores logísticos verdes, a potencialização de linhas de financiamento para veículos e equipamentos de baixo carbono e a criação de uma estratégia nacional de adaptação da infraestrutura aos eventos climáticos extremos.

“Ao reunir esses pleitos, a ABOL busca colocar a logística brasileira no centro do planejamento de longo prazo do país. O próximo ciclo representa uma oportunidade para consolidar uma estratégia voltada à expansão dos investimentos, à redução do Custo Brasil, à incorporação de inovação onde ela couber, ao fortalecimento da sustentabilidade e à elevação da atratividade do País”, reforçou a diretora executiva, Marcella Cunha.


Fonte: Mundo Logística

ABOL propõe política nacional para enfrentar falta de profissionais na logística