Publicado em: 21/10/2026

O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) apontou que 16 estações meteorológicas do Paraná registraram, nos primeiros 12 dias de outubro, chuvas acima da média histórica prevista para o período. Segundo o Sindicato das Empresas de Transporte e Logística do Oeste do Paraná, as chuvas intensas registradas no estado nas últimas semanas têm ampliado os desafios enfrentados pelas empresas de transporte rodoviário de cargas.

O impacto pode ser sentido especialmente no Oeste do Paraná, onde a atividade está diretamente ligada ao agronegócio e à agroindústria. Para o vice-presidente do SINTROPAR, Eduardo Ghelere, o cenário demonstra como as condições climáticas interferem diretamente na rotina das transportadoras e dos clientes.

“Estamos tendo um ano diferente, com eventos que vêm mudando as atividades e as decisões que tomamos no mundo da logística, tanto nas nossas empresas quanto nas operações dos embarcadores. Em Cascavel, as chuvas expressivas deste mês estão provocando prejuízos em todo o Oeste do Paraná”, afirmou.

Um dos principais pontos de preocupação está nas condições oferecidas aos motoristas durante as operações. Em períodos de chuva intensa, a falta de infraestrutura adequada nos locais de carregamento e descarga pode dificultar o trabalho, aumentar o tempo de permanência dos veículos e expor os profissionais a situações de risco.

Em propriedades rurais e unidades agroindustriais, por exemplo, o acúmulo de água e lama pode comprometer o acesso aos pontos de carregamento, estender o tempo das atividades e exigir cuidados adicionais.

Os reflexos também chegam à produção agropecuária. As chuvas e os ventos fortes podem comprometer lavouras, barracões, silos e outras estruturas utilizadas no armazenamento e na movimentação de produtos agrícolas. Como o transporte participa diretamente do escoamento dessa produção, eventuais perdas e interrupções podem alterar a programação de viagens, os volumes transportados e os prazos de entrega.

“A falta de estrutura adequada é ruim para toda a cadeia, mas quem mais sofre é o motorista, que está no dia a dia da operação. Em alguns clientes do agronegócio, ele precisa sair do veículo, enfrentando muita lama ou até água na altura dos joelhos. São situações que mostram a necessidade de melhorar as condições de atendimento”, destacou Ghelere.


PREVENÇÃO GANHA IMPORTÂNCIA

Diante desse cenário, a prevenção ganha ainda mais importância para as transportadoras. A inspeção dos veículos, a verificação das condições das lonas e o acompanhamento das etapas de carregamento e descarga são medidas que ajudam a reduzir a possibilidade de avarias, principalmente no transporte de produtos sensíveis à umidade, como farinhas e cereais.

Segundo o executivo, esses cuidados também estão relacionados à proteção financeira das empresas. “Como setor de transporte, precisamos nos estruturar para evitar prejuízos no dia a dia. O checklist dos veículos e a conferência das lonas passam a ser ainda mais importantes nessas épocas”, explicou.

Além das possíveis avarias, os cuidados adicionais tornam as operações mais lentas e exigem maior atenção das equipes. Em um setor que trabalha com margens apertadas, o aumento do tempo de carregamento, a necessidade de inspeções e os riscos de perdas representam custos que precisam ser considerados pelas empresas. Nesse contexto, a integração entre transportadoras e embarcadores torna-se fundamental para antecipar dificuldades, ajustar procedimentos e garantir melhores condições para a movimentação das mercadorias.

O SINTROPAR, por exemplo, desenvolve iniciativas voltadas à atualização dos empresários e à aproximação entre transportadoras, especialistas e empresas que atuam no setor, promovendo discussões sobre segurança, gestão e desafios operacionais. Para o Ghelere, essa aproximação é importante para fortalecer a atuação das empresas. “Ao SINTROPAR cabe conectar empresas e transportadores para trocar as melhores práticas e ajudar na comunicação em todo o segmento”, destacou.


Fonte: MundoLogística

Chuvas intensas afetam operações logísticas no Paraná