Publicado em: 28/09/2026
O setor de transporte desempenha papel central na movimentação de pessoas e mercadorias, possibilitando o acesso a atividades e serviços essenciais e a continuidade das cadeias produtivas. A despeito dessa importância, o Brasil ainda apresenta carências na oferta de infraestrutura de transporte, tanto quantitativas quanto qualitativas. Esse quadro resulta de um longo processo histórico, marcado pela insuficiente alocação de recursos e pelo não cumprimento de objetivos estabelecidos em instrumentos de planejamento.
A transformação de uma demanda em infraestrutura efetivamente disponibilizada aos usuários envolve um longo processo, que compreende estudos, licenciamento, projetos de engenharia e contratação e execução das obras. Dadas a extensão e a complexidade de intervenções como rodovias, ferrovias e hidrovias, esse processo pode demandar de cinco a mais de dez anos. Esses prazos evidenciam a necessidade de continuidade dos planos e das políticas públicas e de previsibilidade na provisão dos investimentos ao longo de sucessivos mandatos governamentais.
É nesse contexto que insere o Plano CNT de Transporte e Logística. A publicação reúne 2.837 projetos necessários ao atendimento das demandas do setor, dos quais 2.509 são de integração nacional e 328, urbanos, representando investimento estimado em R$ 2,03 trilhões. Os empreendimentos contemplam cargas e passageiros, abrangendo todos os modos e regiões do país.
Os projetos incluídos no Plano ainda não tiveram as suas obras concluídas e têm diferentes origens. Parte decorre de demandas da CNT e de suas entidades associadas; outra foi identificada em planos e programas do poder público, nos níveis federal, estadual, distrital e municipal, ou em estudos de entidades de outros segmentos econômicos. Para cada projeto, foi identificado o respectivo ente ou grupo proponente.
Do total, 1.274 projetos foram propostos exclusivamente pelo poder público. Embora previstos em planos e programas, ainda não foram concluídos, e 524 deles foram propostos há mais de dez anos. O setor de transporte, por sua vez, identificou e incluiu adicionalmente 1.111 projetos. Essas propostas têm particular importância por incorporarem demandas específicas, da perspectiva de quem utiliza as infraestruturas – ou precisa que elas estejam disponíveis de forma mais eficiente.
A carteira demonstra que o Plano não se limita a consolidar iniciativas do poder público, incorporando também demandas do setor e projetos de autoria de outras entidades. Essa diversidade amplia a abrangência da publicação e permite sistematizar diferentes necessidades de infraestrutura.
Em um contexto de múltiplos desafios, intensificados pela transição tecnológica, pelos eventos climáticos extremos e pelas instabilidades geopolíticas, a superação das deficiências de infraestrutura constitui questão prioritária e estratégica para o país. Nesse sentido, o Plano CNT oferece contribuição relevante para o planejamento e o direcionamento de recursos, ao reunir projetos de diferentes origens, modos e regiões e manter atualizada a identificação das demandas do setor.
Fonte: Agência CNT Atual