Publicado em: 22/07/2026

O transporte rodoviário continua sendo o principal meio para a entrega de mercadorias no Paraná. Cerca de 75% de toda a carga transportada no estado ocorre por meio de caminhões. No entanto, as restrições à circulação de caminhões nos grandes centros do Paraná têm ampliado os desafios enfrentados pelo transporte rodoviário de cargas. Limitações de horários e acessos, congestionamentos e dificuldades para realizar operações de carga e descarga estão reduzindo a produtividade, aumentando os custos e tornando mais complexo o abastecimento de regiões comerciais e residenciais.

Tomemos como exemplo Curitiba. Veículos com mais de sete toneladas não podem circular na Zona Central de Tráfego e na Linha Verde em determinados horários. As limitações obrigam as transportadoras a reorganizar rotas, horários, equipes e tipos de veículos utilizados.

O presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Estado do Paraná, o empresário Silvio Kasnodzei, relata que as transportadoras são obrigadas a operar em janelas noturnas ou madrugadas, comprimindo a jornada útil, elevando custos com horas extras. Soma-se a isso a escassez crônica de vagas regulamentadas para carga e descarga, que força paradas irregulares e gera multas e retrabalho.

Os reflexos desse cenário se estendem por toda a cadeia de abastecimento. Segundo estudo da Confederação Nacional do Transporte, as entregas urbanas podem representar até 28% do custo total do transporte, e as dificuldades encontradas nas cidades afetam diretamente o nível de serviço, o cumprimento dos prazos e o preço final dos produtos.

O crescimento do comércio eletrônico e das entregas rápidas são novos desafios a serem enfrentados pelas transportadoras?

O crescimento do comércio eletrônico e das entregas rápidas transformou o perfil da logística urbana. Na  prática, isso significa mais veículos circulando, maior número de paradas e operações em horários cada vez mais variados, inclusive aos finais de semana. Nesse sentido, o presidente do Setcepar alerta que a demanda precisa ser atendida por uma malha viária que não foi planejada para suportar a atual densidade de movimentação.

Aliás, de acordo com o estudo da CNT, as dificuldades urbanas podem acrescentar até 20% ao valor do frete. O Sindicato das Transportadoras defende que novas regras sejam precedidas de estudos de impacto logístico e discutidas com transportadoras, embarcadores, comerciantes e entidades representativas. Afinal de contas, restrição sem estrutura gera multas, aumenta o frete e encarece o abastecimento. E quem acaba pagando a conta é o próprio consumidor.  

Fonte: Band News

Restrições urbanas elevam os custos do transporte de cargas