Publicado em: 23/10/2026

O último trimestre de 2026 começa com sinais mistos para a economia paranaense, com reflexos diretos sobre o Transporte Rodoviário de Cargas (TRC). O varejo ampliado do estado acumulou crescimento de 2,7% entre janeiro e julho, acima da média nacional de 1,9%. Em setembro, porém, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) recuou 3,3% na comparação mensal e chegou a 95,2 pontos, ainda abaixo dos 100 pontos que separam as zonas de insatisfação e de otimismo. Mesmo assim, o indicador está 5,5% acima do registrado em setembro de 2025.

No agronegócio, segmento de peso para a movimentação de cargas, o Departamento de Economia Rural (Deral) aponta atividade aquecida. O Paraná abateu 1,1 bilhão de frangos no primeiro semestre, alta de 4,9% sobre 2025 e equivalente a 35% do total nacional. Na safra de verão, o plantio da soja atingiu 36% da área prevista no início de outubro, em ritmo dentro do esperado e ligeiramente acima da média das últimas safras.


Fim de ano exige equilíbrio entre volume e margem

O período costuma ser marcado pelo abastecimento do comércio para as vendas de fim de ano, pela movimentação do agronegócio e da indústria e pelo início do planejamento para o exercício seguinte. No Norte do Paraná, onde esses setores têm forte peso regional, a expectativa é de maior movimentação em determinadas operações até dezembro. Ainda assim, as transportadoras mantêm atenção sobre custos, fretes e rentabilidade.

Para Marcelo Aguiar, diretor regional do SETCEPAR Londrina, a perspectiva é positiva, mas não autoriza decisões baseadas apenas na expectativa de crescimento do volume. “O setor chega ao último trimestre com uma expectativa moderadamente positiva, principalmente pelas vendas de fim de ano. O comércio deve ajudar a movimentar as operações, assim como o agronegócio e a indústria, mas ainda temos custos elevados e pressão sobre os fretes. É preciso conciliar aumento de demanda com rentabilidade”, afirma.

Transportar mais, porém, não garante melhores resultados. Combustíveis, mão de obra, manutenção, aquisição de veículos e encargos financeiros seguem entre os principais componentes das despesas, e nem sempre é possível repassar integralmente esses aumentos aos valores negociados com os clientes.


Defasagem entre frete e custo preocupa o setor

Levantamento do Departamento de Custos Operacionais e Pesquisas Técnicas e Econômicas (DECOPE), da NTC&Logística, apontou no primeiro semestre de 2026 defasagem média de 10,5% entre os valores de frete praticados e os custos efetivos das operações. O dado reforça a necessidade de avaliar não só o volume transportado, mas também a capacidade de cada operação gerar margem suficiente para sustentar a atividade.

Nesse cenário, o aproveitamento da estrutura existente ganha importância. “Antes de ampliar frota ou assumir novos custos permanentes, a transportadora precisa avaliar a ocupação dos veículos, o planejamento das rotas, a disponibilidade de profissionais e a possibilidade de utilizar terceiros em períodos de maior demanda. A qualificação e a retenção das equipes também são fundamentais para aumentar a produtividade sem elevar excessivamente os custos fixos”, explica Aguiar.


Planejamento de 2027 com foco em retorno

Ao mesmo tempo em que administram a reta final do ano, as transportadoras começam a definir investimentos e prioridades para 2027. Renovação de frota, manutenção, contratação, tecnologia, revisão de contratos e expansão das operações fazem parte das discussões, com atenção redobrada ao retorno financeiro e à capacidade de geração de caixa.

O comportamento do comércio também pede cautela. Embora o desempenho acumulado das vendas seja positivo, a confiança dos empresários segue abaixo da zona de otimismo. Entre micro e pequenas empresas do varejo paranaense, o índice recuou 3,7% em setembro, enquanto nas empresas com mais de 50 funcionários avançou 14,2%. A diferença mostra que a percepção do cenário varia conforme o porte do negócio.

As condições de financiamento, o comportamento dos custos e a evolução da demanda devem determinar o ritmo desses investimentos. Diante de um cenário ainda sujeito a oscilações, a tendência é que as empresas adotem postura seletiva, priorizando iniciativas que gerem ganhos de produtividade antes de assumir novas despesas fixas.

“Para 2027, as transportadoras precisam ter segurança de que haverá demanda e rentabilidade para sustentar novos investimentos. A cautela não significa deixar de crescer, mas direcionar os recursos para aquilo que efetivamente melhora a operação e avançar conforme as oportunidades do mercado se confirmem”, conclui Aguiar.


Fonte: Frota&Cia

Transportadoras do Paraná miram fim de ano com cautela e foco em rentabilidade